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Análises

Lipostabil: para que serve, eficácia e efeitos colaterais

Entenda o que é o Lipostabil, como a fosfatidilcolina age sobre a gordura localizada e o que os estudos mostram sobre eficácia e riscos.

Por André NAtualizado em 02 de setembro de 2026

Ficou conhecido como a "injeção que derrete gordura" porque atua exatamente no ponto em que é aplicado. É assim que o Lipostabil entrou no radar de quem busca reduzir gordura localizada sem passar por cirurgia.

Aviso: o conteúdo abaixo tem caráter apenas informativo. Nada aqui substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde qualificado.

O que é o Lipostabil

Lipostabil é o nome comercial de um medicamento injetável que tem diferentes aplicações na medicina, mas que ganhou notoriedade por prometer eliminar gordura em regiões específicas do corpo.

O princípio ativo é a fosfatidilcolina, uma lipoproteína que faz parte da membrana das células de todos os seres vivos.

Como a fosfatidilcolina atua sobre a gordura

O papel dessa lipoproteína está ligado ao funcionamento da própria membrana celular, sobretudo no transporte de moléculas para dentro e para fora dela. Esse trânsito inclui empurrar moléculas de gordura para fora das células, deixando-as disponíveis para que o organismo as aproveite de outras formas — como fonte de energia, por exemplo.

Na prática, a ideia por trás da injeção é essa: ao ser aplicada em um ponto específico, a substância "dissolveria" a gordura ali acumulada e facilitaria sua eliminação pelo corpo.

Foi justamente esse mecanismo que transformou o Lipostabil em recurso estético. As aplicações passaram a ser feitas diretamente sobre áreas com mais acúmulo de gordura, com destaque para regiões problemáticas como o abdômen.

O problema é que faltam estudos consistentes sobre a segurança e a eficácia da droga para esse uso cosmético. Por isso, sua comercialização foi suspensa no Brasil. A proibição, no entanto, não acabou com a procura: a substância continua circulando e sendo obtida por vias não oficiais.

Existe comprovação de que funciona?

Mesmo com a proibição no Brasil e em outros países, boa parte da literatura sobre a fosfatidilcolina aponta que a aplicação localizada, via injeção, consegue reduzir gordura no ponto tratado.

Um trabalho assinado por Karl G. Heinrich, publicado no Indian Journal of Plastic Surgery em 2005, acompanhou 86 pacientes submetidos a injeções localizadas de fosfatidilcolina. O resultado foi uma redução média de 2,7 cm na circunferência das áreas tratadas por aplicação.

Outro estudo, conduzido por Reeds e colaboradores e publicado no Aesthetic Surgery Journal em 2013, testou a fosfatidilcolina combinada ao deoxicolato de sódio — outra substância com efeito parecido. A dupla foi capaz de diminuir o volume e a espessura da gordura abdominal dos participantes.

Resultados semelhantes aparecem em vários outros estudos sobre o tema. Ainda assim, é preciso separar as coisas: comprovar que algo produz um efeito não é o mesmo que atestar que é eficiente e seguro. A literatura não permite dizer, sem margem de dúvida, qual é a real relação entre benefício e risco do uso da substância.

Como a aplicação era feita

A injeção é aplicada com uma agulha bem fina, diretamente nas regiões onde se quer reduzir o acúmulo de gordura.

Os pontos de aplicação costumavam ser distribuídos com um espaçamento de cerca de dois centímetros entre si, embora não exista qualquer padronização ou regra oficial para isso.

Em geral, usa-se o conteúdo de uma ampola por sessão, dividido em várias aplicações ao longo da área tratada. Como uma única sessão dificilmente traz resultado expressivo, o processo era conduzido em várias etapas, com intervalos de semanas entre elas. Na prática, isso significa que qualquer efeito visível pode levar mais de 30 dias para aparecer.

Efeitos colaterais e riscos

Os efeitos adversos mais frequentes surgem no próprio local da injeção: dor, inchaço, vermelhidão, coceira, aumento da sensibilidade, hematomas e nódulos endurecidos após as aplicações.

Além dessas reações locais, existem complicações mais graves — e mais raras — como abscessos, infecções, necrose do tecido, reações alérgicas e alterações na cor da pele.

Um ponto importante: não há dados claros sobre se esses efeitos vêm da substância em si ou da forma como ela é usada. No Brasil não existia posologia oficial para fins estéticos, e o uso era basicamente irregular. Cada clínica podia adotar seu próprio método, sem controle rigoroso — o que dificulta separar o risco da droga do risco da má aplicação.

Referências

  1. HEINRICH, Karl G. Efficacy of injections of phosphatidylcholine into fat deposits: a non-surgical alternative to liposuction in body-contouring. Indian Journal of Plastic Surgery, v. 38, n. 2, p. 119–122, 2005.
  2. REEDS, D. N.; MOHAMMED, B. S.; KLEIN, S.; BOSWELL, C. B.; YOUNG, V. L. Metabolic and structural effects of phosphatidylcholine and deoxycholate injections on subcutaneous fat: a randomized, controlled trial. Aesthetic Surgery Journal, v. 33, n. 3, p. 400–408, 2013.