Zyzz: história, treino e dieta do primeiro ídolo fitness
A trajetória de Aziz Shavershian, o Zyzz: do bullying à fama fitness, a morte precoce aos 22 anos e os detalhes do seu treino e dieta.
Perfil
- Nome completo: Aziz Sergeyevich Shavershian
- Apelido: Zyzz
- Nascimento: 24 de março de 1989, em Moscou, Rússia
- Nacionalidade: australiana (a família emigrou para a Austrália quando ele ainda era criança)
- Altura: 1,87 m
- Peso: cerca de 98 kg no auge da forma
- Ocupação: influenciador digital e, mais tarde, empresário
- Falecimento: 5 de agosto de 2011, em Bangkok, Tailândia
- Causa da morte: ataque cardíaco associado a uma condição cardíaca pré-existente
- Legado: ícone da cultura fitness, popularizou o "estilo de vida estético" e bordões como "Do you even lift?"
O primeiro ídolo fitness da internet
Antes de "influenciador" virar profissão, Aziz Shavershian já fazia esse papel. Sob o apelido Zyzz, ele foi uma das primeiras figuras a transformar a musculação em espetáculo online, conquistando fãs no YouTube e nos fóruns da época. Personalidade polêmica à parte, o alcance dele é indiscutível: mais de uma década após sua morte, o nome segue circulando em treinos, memes e conversas de academia.
O que fez Zyzz virar lenda não foi só o físico. Foi a história de um garoto tímido, viciado em videogame e alvo de bullying, que se reinventou por completo — e levou junto milhões de jovens inseguros que se enxergaram nele. A mudança estética veio acompanhada de uma mudança de atitude, e foi essa combinação que criou o mito.
Um garoto de xadrez e videogame
Aziz nasceu em 1989, na Rússia, segundo filho de Sergei, professor universitário, e Maya, cardiologista. Em 1993 a família emigrou para a Austrália em busca de uma vida melhor.
Na escola, o menino se destacava pela inteligência: foi capitão de um clube de xadrez e ficou entre os melhores alunos da turma. O problema era o corpo. Extremamente magro, virou alvo fácil — tinha o dinheiro do lanche roubado, apanhava e era humilhado com frequência. O refúgio virou o quarto, com o videogame como companhia.
A virada veio de dentro de casa. Ao ver o irmão mais velho, Said, começar a treinar, Aziz se inspirou. Vendeu sua conta de World of Warcraft por cerca de 500 dólares — o suficiente para pagar um ano de academia — e entrou de vez na musculação.
Corpo novo, cabeça nova
O começo foi modesto, mas a evolução logo saiu do comum. Treinando com constância e sob a influência do irmão, Aziz viu os primeiros resultados aparecerem em poucos meses. Querendo acelerar ainda mais o processo, recorreu a esteroides anabolizantes.
A mudança no espelho impressionava, mas a maior transformação foi mental. O adolescente introvertido que se escondia atrás do console deu lugar a uma persona confiante e provocadora. Aziz passou a usar a própria aparência e o próprio comportamento para inspirar outros jovens que se sentiam deslocados como ele um dia se sentiu. As críticas que colhia pelo caminho, devolvia com humor e ironia — e foi assim que o personagem Zyzz ganhou forma.
O nascimento de "Zyzz"
Quanto mais fundo entrava no mundo da musculação, mais Aziz frequentava fóruns, onde postava sua evolução e trocava ideia com outros praticantes. Foi nesse ambiente que ele construiu, de propósito, uma versão caricata e irônica de si mesmo: confiança extrema misturada com deboche.
Bordões como "U mirin, brah?" e "Come at me, bro" viraram marca registrada, enquanto fotos e vídeos da sua progressão explodiam de visualizações. Em vez de fugir do ódio, Zyzz o abraçava e transformava em combustível — cada crítica atraía mais atenção. Ele ainda dividia os holofotes com o irmão e os amigos, no grupo que ficou conhecido como Aesthetic Crew.
Físico marcante, humor afiado e uma postura despreocupada: essa mistura o levou a um status quase mítico, com uma base de fãs que crescia sem parar.
Idolatrado e criticado ao mesmo tempo
Zyzz virou fenômeno global justamente por encarnar um estilo de vida que juntava estética, autoconfiança e fuga do estereótipo do marombeiro tradicional. Mas o sucesso nunca veio sem controvérsia.
Para muita gente, o personagem era superficial ou glorificava práticas questionáveis — do uso de esteroides às festas em excesso e aos comportamentos de risco. Ele, no entanto, parecia prosperar sob as críticas, usando a fama para provocar debates sobre autenticidade, aceitação e os limites entre inspiração e irresponsabilidade.
Esteroides desde o início
A transformação rápida de Aziz não era só fruto de treino e dieta. Desde os primeiros meses na academia, ele já usava esteroides anabolizantes — e não escondia isso. Nos fóruns em que participava, falava abertamente sobre o assunto, deixando claro que boa parte da velocidade dos seus resultados vinha dessas substâncias.
Mas nem a fama nem o uso de hormônios saíram de graça.
O preço de ser Zyzz
Conforme a fama crescia, o peso do personagem crescia junto. Em festivais e eventos, Aziz era cercado por centenas de fãs — muitos deles interessados apenas em usá-lo para ganhar atenção, sem qualquer respeito.
Manter o personagem exigia aparência e atitude impecáveis o tempo todo, o que empurrava para uma rotina ininterrupta de treino e hormônios. Aziz sentia que precisava sustentar uma imagem perfeita para não frustrar quem o seguia, e essa cobrança foi cavando uma distância entre o Zyzz público e o Aziz real. Amigos próximos contavam que, por trás da confiança exibida, ele era ansioso, inseguro e muitas vezes evitava sair sozinho.
Com o tempo, começou a se arrepender do que havia criado. Cansado das interações superficiais que a fama atraía, chegou a cogitar tirar do ar seus vídeos mais virais e repensar a própria imagem — queria separar o que era sério do que era brincadeira. Mais do que o físico, passou a valorizar aquilo que considerava sua maior conquista: a inspiração que despertava nas outras pessoas.
A tragédia na Tailândia
Buscando um descanso longe da internet, Zyzz viajou para a Tailândia antes de retomar o trabalho e os novos projetos. Durante a viagem, mandou uma mensagem ao irmão dizendo que pretendia esticar a estadia. Said insistiu para que voltasse — a família sentia sua falta. O retorno estava marcado para 5 de agosto.
No dia 8 de agosto, porém, quem bateu à porta não foi Aziz. Foi um policial, com a certidão de óbito nas mãos. O baque foi imenso para a família e para toda a comunidade fitness, que perdia uma de suas maiores figuras.
O que matou Zyzz
A morte veio de repente, em 5 de agosto de 2011, durante as férias na Tailândia. Aos 22 anos, Aziz sofreu um ataque cardíaco fulminante dentro de uma sauna.
A perda tão precoce jogou luz sobre os riscos do estilo de vida que ele levava — inclusive o uso de esteroides, que ele mesmo assumia publicamente. Depois da morte, veio à tona que Zyzz convivia com uma condição cardíaca não diagnosticada: a cardiomiopatia hipertrófica, uma doença genética do músculo do coração capaz de provocar insuficiência cardíaca súbita.
O caso virou alerta sobre a importância de exames médicos regulares, sobretudo para quem treina pesado e pode estar usando substâncias que aumentam o risco cardíaco. O legado de Zyzz sobrevive na cultura fitness e nas redes, mas sua morte também se tornou motivo de reflexão para muitos jovens sobre o equilíbrio entre a busca pelo corpo ideal e a própria saúde.
A dieta de Zyzz
Zyzz não perdia tempo contando calorias. A estratégia era simples: 7 a 8 refeições por dia, cada uma com uma fonte magra de proteína. Ele cortava fast-food, refrigerante e doce, e só bebia água e chá verde.
Um exemplo de um dia de alimentação:
- Refeição 1: 6 ovos cozidos, 2 xícaras de aveia e um shake de proteína
- Refeição 2: 300 g de peito de frango com brócolis e arroz integral
- Refeição 3: 200 g de atum em água misturado com folhas de espinafre e pão integral
- Refeição 4: shake de proteína no pós-treino
- Refeição 5: refogado de carne ou carne de canguru moída com vegetais
- Refeição 6: bife ou canguru com couve de bruxelas
- Refeição 7: 4 ovos mexidos com salmão
- Refeição 8: uma xícara de queijo cottage sem gordura
Na prática, é um cardápio clássico de cutting: muita proteína e poucos carboidratos, pensado ou não de forma consciente.
O treino de Zyzz
O treino seguia a lógica do alto volume, com 5 dias na semana. A filosofia era direta: empurrar os limites a cada sessão e buscar progresso constante. Veja uma das rotinas que ele usava.
Segunda — Peito e bíceps
- Supino inclinado com halteres — 4 x 8-10
- Supino reto com barra — 3 x 8-10
- Crucifixo inclinado com halteres — 3 x 8-10
- Mergulho nas paralelas com pegada larga — 3 séries até a falha
- Rosca direta com barra — 3 x 8-10
- Rosca Scott — 3 x 8-10 (com dropset: faça 8-10 repetições, reduza o peso pela metade e faça mais 8)
Terça — Pernas e panturrilhas
- Agachamento livre — 4 x 8-10
- Avanço com halteres — 3 x 8-10
- Leg press — 3 x 8-10
- Cadeira extensora — 3 séries até a falha
- Cadeira flexora — 3 x 8-10
- Panturrilha em pé — 3 x 10-15
Quarta — Costas
- Pulldown (puxada) — 3 x 8-10
- Levantamento terra — 4 x 8-10
- Remada curvada com barra — 3 x 8-10
- Remada serrote (unilateral) — 3 x 8-10
- Hiperextensão — 3 x 8-10
Quinta — Ombros e tríceps
- Desenvolvimento com halteres — 4 x 8-10
- Elevação lateral combinada com elevação frontal — 3 x 8-10
- Supino fechado — 3 x 8-10
- Tríceps na polia — 4 x 8-10
- Rosca testa — 3 x 8-10
Sexta — Corpo inteiro
- Supino reto com barra — 3 x 8-10
- Remada curvada com barra — 3 x 8-10
- Agachamento — 3 x 8-10
- Supino fechado — 3 x 8-10
- Rosca direta com barra — 3 x 8-10
- Panturrilha sentado — 3 x 8-10
E o cardio?
Zyzz simplesmente não fazia. Ele acreditava que o treino com pesos, somado a uma dieta bem montada, já dava conta de queimar gordura e manter o físico definido.