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Nutrição

Nutrição pré, intra e pós-treino para ganhar músculo

Quanto de proteína e carboidrato consumir antes, durante e depois da musculação, com exemplos práticos de refeições e shakes para hipertrofia.

Por André N

Cada refeição do dia soma para o resultado final, mas as que cercam o treino têm um papel específico: abastecer o esforço e iniciar a recuperação. Ajustar o que entra no prato antes, durante e depois da musculação é uma forma barata de extrair mais de cada sessão. A lógica é simples: carboidrato para energia e reposição de glicogênio, proteína para dar suporte ao músculo, e pouca gordura e fibra para não atrapalhar a digestão perto do horário do treino.

O que comer antes do treino

A refeição anterior à musculação funciona como o combustível da sessão. O foco é oferecer carboidrato e proteína em quantidade adequada, mantendo baixa a presença de fibras, frutose e gordura.

O carboidrato aqui tem uma função clara: elevar o estoque de glicogênio nos músculos e no fígado. Esse reservatório é o que sustenta o desempenho ao longo dos exercícios, e chegar ao treino com ele bem abastecido faz diferença na qualidade das séries.

A recomendação é consumir de 30 a 90 minutos antes de começar, com 20 a 30g de proteína e 30 a 40g de carboidrato.

Refeições muito volumosas ou carregadas de fibra devem ficar de fora nesse momento. Elas puxam o fluxo sanguíneo para o trabalho digestivo justo quando você quer o sangue irrigando a musculatura, o que pode derrubar o desempenho e ainda provocar sonolência ou náusea durante o esforço.

Exemplos de refeição pré-treino

Shake de whey com fruta

  • Proteína: 1 scoop (30g) de whey protein, cerca de 24g de proteína
  • Carboidrato: 1 banana média + 20g de aveia, cerca de 36g de carboidrato
  • Como fazer: bata no liquidificador o whey, a banana e a aveia com 200ml de leite desnatado ou água.

Iogurte com granola

  • Proteína: 200g de iogurte grego natural, cerca de 20g de proteína
  • Carboidrato: 20g de granola + 1 colher de sopa de mel, cerca de 34g de carboidrato
  • Como fazer: misture o iogurte com a granola e finalize com o mel para adoçar e garantir energia de absorção rápida.

Frango grelhado com batata-doce

  • Proteína: 100g de frango grelhado, cerca de 24g de proteína
  • Carboidrato: 130g de batata-doce cozida, cerca de 30g de carboidrato
  • Gordura (opcional): 1 colher de chá de azeite de oliva, cerca de 5g de gordura boa
  • Temperos: sal, pimenta-do-reino, alho e ervas como alecrim ou salsa.

Preparo: cozinhe a batata-doce (em rodelas, se preferir) até ficar macia sem desmanchar. Tempere os filés de frango, aqueça uma frigideira antiaderente com o azeite opcional e grelhe até dourar dos dois lados.

O que comer durante o treino

A nutrição intratreino é a mais superestimada das três. Na prática, a maioria das pessoas não precisa comer nada durante a sessão. Ela passa a fazer sentido em situações específicas: quem treina em jejum, quem está em déficit calórico, quem enfrenta treinos longos ou quem persegue otimização máxima dentro de uma estratégia bem montada, como é o caso de fisiculturistas.

Quando ela se justifica, a ideia é sustentar a energia e dar suporte anabólico. Carboidratos líquidos, como os de um Gatorade, ajudam a manter o pique ao longo do treino, enquanto aminoácidos essenciais ou whey oferecem o aporte proteico.

Exemplo de refeição intratreino

  • Um shake com 1 Gatorade batido com 1 medidor de whey protein ou outra proteína em pó de fácil diluição.

O que comer depois do treino

A refeição pós-treino é o pontapé inicial da recuperação. Ela pode ser feita logo que você termina a sessão ou ao longo dos 60 a 90 minutos seguintes. O objetivo é criar um ambiente mais anabólico: reduzir a quebra de tecido muscular e repor o glicogênio gasto durante o esforço.

O shake é uma opção prática nesse momento por dois motivos. O primeiro é a facilidade de transporte. O segundo é que treinos mais intensos costumam cortar o apetite, o que dificulta encarar comida sólida logo em seguida. Ainda assim, não existe obrigação: uma refeição sólida no pós-treino cumpre o mesmo papel.

A meta de nutrientes repete a do pré-treino: 20 a 30g de proteína somados a 30 a 40g de carboidrato.

Exemplos de refeição pós-treino

Shake de whey com fruta

  • Proteína: 1 scoop (30g) de whey protein, cerca de 24g de proteína
  • Carboidrato: 1 maçã média ou 1 colher de sopa de mel, cerca de 30g de carboidrato
  • Como fazer: bata o whey com a maçã ou o mel e 200ml de água ou leite desnatado. Sirva gelado para refrescar.

Iogurte com fruta e mel

  • Proteína: 200g de iogurte grego natural, cerca de 20g de proteína
  • Carboidrato: 1 colher de sopa de mel + 1 fatia de abacaxi ou outra fruta, cerca de 34g de carboidrato
  • Como fazer: combine o iogurte com o mel e os pedaços de fruta para um lanche leve e rico em nutrientes.

A janela anabólica é tão apertada assim?

A ideia de que a proteína precisa entrar em minutos após a última série vem de uma leitura exagerada da chamada janela anabólica. A revisão de Brad Jon Schoenfeld e Alan Albert Aragon, publicada em 2018 no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy (v. 48, n. 12, p. 911-914) sob o título "Is there a postworkout anabolic window of opportunity for nutrient consumption? Clearing up controversies", ajudou a colocar o tema em perspectiva.

A mensagem prática é que o intervalo de reposição é mais largo do que se costumava pregar. Por isso a orientação de comer imediatamente ou dentro de 60 a 90 minutos: você tem folga suficiente para se organizar sem perder os benefícios da refeição. O que importa é atingir as quantidades de proteína e carboidrato ao longo do dia, com as refeições ao redor do treino servindo esse total de forma inteligente.