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Nutrição

Suplementos de 2007 a 2025: quais ainda valem a pena

Comparação entre os suplementos mais usados em 2007 e em 2025: quais resistiram à ciência, quais caíram e quais só evoluíram nas fórmulas.

Por André N

O mercado de suplementos de 2007 tem pouca semelhança com o de 2025. Nomes que eram tratados como obrigatórios sumiram das prateleiras, outros que quase ninguém conhecia viraram padrão, e alguns clássicos continuam firmes — mas por motivos diferentes.

Aí está o ponto que costuma passar despercebido: um suplemento pode continuar no mercado porque venceu o teste do tempo e comprovou eficácia, ou pode continuar apenas porque um mito é repetido há tanto tempo que virou verdade de bastidor de academia. Separar um caso do outro é o que evita gastar dinheiro com algo que não entrega resultado. A comparação abaixo, categoria por categoria, ajuda a fazer escolhas mais informadas sobre o que realmente merece espaço no seu orçamento.

Os que resistiram ao teste do tempo

Creatina

Em 2007 já era considerada essencial para força e performance, com a forma monohidratada dominando quase sozinha o mercado. O que travava parte das pessoas eram os mitos de segurança: falava-se em retenção de líquidos e em possível dano aos rins.

Em 2025 a monohidratada segue reinando. Surgiram outras formas, como a creatina HCl, mas sem evidência significativa de que sejam superiores. A grande mudança foi de reputação: hoje ela é aceita até por profissionais de saúde, graças aos estudos que confirmaram segurança e benefícios. E o uso extrapolou o público atlético — passou a ser discutida também para saúde cerebral e longevidade.

Whey Protein

Em 2007 era o suplemento mais popular e usado para ganho de massa e recuperação pós-treino. Predominavam as versões concentrada e isolada, com poucas opções hidrolisadas, e o foco estava em marcas importadas como a Optimum Nutrition.

Em 2025 continua entre os principais, agora com uma diversidade muito maior: whey hidrolisado, proteínas vegetais para quem segue dieta vegana, fórmulas mais limpas com menos aditivos artificiais e sabores mais elaborados. Outro salto foi a expansão das marcas nacionais, que hoje entregam ótimo custo-benefício.

Beta-alanina

Em 2007 era praticamente desconhecida. Alguns pré-treinos experimentais começavam a incluí-la, mas o uso era restrito e pouco compreendido.

Em 2025 é um dos ingredientes mais populares em pré-treinos, com eficácia comprovada em aumentar a resistência muscular e reduzir a fadiga. Já existem doses e protocolos bem definidos, e ela é amplamente aceita como suplemento eficaz para treinos intensos.

Pré-treinos

Em 2007 mal existiam como categoria. Os poucos produtos disponíveis eram pouco diversificados, baseados em altas doses de cafeína e em vasodilatadores básicos, como a arginina.

Em 2025 são fórmulas avançadas, combinando cafeína, beta-alanina, citrulina e adaptógenos para foco e energia sustentada. Há também mais segmentação: existem versões estimulantes e versões sem estimulantes, para diferentes preferências e horários de treino.

Os que a ciência colocou em xeque

BCAAs

Em 2007 eram fortemente promovidos para recuperação muscular e combate ao catabolismo, a ponto de muitos atletas os considerarem indispensáveis.

Em 2025 a popularidade caiu. Estudos mostraram que BCAAs isolados oferecem benefício limitado quando a dieta já contém proteína suficiente. Em boa parte dos casos foram substituídos pelos EAAs (aminoácidos essenciais), que cobrem um espectro maior de benefícios.

Glutamina

Em 2007 era amplamente usada para acelerar a recuperação, fortalecer o sistema imunológico e reduzir o catabolismo, promovida como essencial para quem treinava pesado — mesmo com estudos ainda escassos na época.

Em 2025 perdeu força no mundo fitness: para indivíduos saudáveis e com dieta equilibrada, a suplementação não demonstra grandes ganhos de recuperação muscular. Ela mantém relevância em contextos clínicos, como suporte imunológico para pessoas sob alto estresse metabólico — casos graves ou pós-cirúrgicos, por exemplo.

Aminoácidos genéricos (líquidos e em cápsulas)

Em 2007 fórmulas como o famoso "Amino 44000" e outras numerações mirabolantes eram um sucesso, vendidas como solução completa para recuperação e síntese proteica. Geralmente misturavam BCAAs e aminoácidos não essenciais derivados de proteínas. A dosagem total era alta (o tal "44000 mg"), mas a composição e a biodisponibilidade não eram transparentes. O marketing apostava nos números grandes, ainda que a eficácia real fosse discutível diante da baixa absorção de alguns componentes.

Em 2025 esses produtos genéricos perderam relevância, dando lugar a alternativas mais específicas: os BCAAs isolados — que carregam as próprias limitações já citadas — e, principalmente, a proteína em pó e os alimentos integrais. Estudos modernos passaram a incentivar o consumo direto de proteínas completas, como whey e carnes, que já fornecem os aminoácidos necessários sem os rótulos exagerados.

Os que amadureceram na formulação

Multivitamínicos

Em 2007 eram genéricos e pouco personalizados, sem segmentação por gênero, idade ou objetivo, e vistos como um complemento básico, longe de ser prioridade.

Em 2025 as fórmulas ficaram mais personalizadas e otimizadas, com ingredientes voltados a necessidades específicas, como saúde hormonal, energia ou imunidade. Cresceu também a atenção à bioatividade e à biodisponibilidade dos nutrientes.

Termogênicos

Em 2007 giravam em torno de cafeína e efedrina (onde era permitida), prometendo queima de gordura acelerada. Muitos tinham fórmulas agressivas e efeitos colaterais relevantes.

Em 2025 as composições são mais equilibradas, com ingredientes naturais como cafeína, chá verde e capsaicina. O foco passou a ser oferecer suporte à energia e ao metabolismo de forma mais segura, sem efeitos adversos severos.

Barras de proteína

Em 2007 já existiam, mas muitas tinham qualidade nutricional baixa, com excesso de açúcar e ingredientes artificiais. Serviam mais como substituto rápido de refeição para o público geral do que como recurso para atletas.

Em 2025 há grande variedade voltada a objetivos distintos: low carb, veganas, ricas em fibras ou com alta concentração de proteína. Os ingredientes ficaram mais naturais e com menos açúcar adicionado.

Hipercalóricos

Em 2007 faziam muito sucesso entre quem buscava ganho de massa. As fórmulas costumavam juntar maltodextrina (carboidrato simples) com proteína de baixa qualidade, resultando em calorias vazias e, muitas vezes, desconforto gástrico.

Em 2025 as composições ficaram mais sofisticadas, com carboidratos complexos como aveia e waxy maize e proteínas de qualidade, além de vitaminas, minerais e até gorduras boas. A popularidade é moderada, já que muita gente prefere refeições caseiras para controlar melhor as calorias.

Proteína isolada de soja

Em 2007 era vista como alternativa proteica mais acessível, usada sobretudo por intolerantes à lactose e vegetarianos. Vinha acompanhada de dúvidas sobre a qualidade da proteína e de mitos sobre efeitos no sistema hormonal masculino.

Em 2025 o processamento e a pureza melhoraram bastante, ampliando a aceitação nos meios vegano e fitness. Passou a ser usada em blends com outras proteínas vegetais, como ervilha e arroz, formando um perfil de aminoácidos completo. E as controvérsias antigas caíram por terra: estudos desmistificaram o suposto impacto na testosterona.

Carboidratos: a categoria que mais encolheu

Maltodextrina

Em 2007 era o carboidrato mais popular no pré e no pós-treino, valorizado pela absorção rápida e pelo custo baixo, mas criticado pelo alto índice glicêmico e pelos picos de açúcar no sangue.

Em 2025 ainda existe, porém enfrenta a concorrência de carboidratos mais complexos, como aveia e waxy maize. Sua relevância vem diminuindo diante da preferência por dietas de baixo índice glicêmico.

Dextrose

Em 2007 era o carboidrato mais comum no pós-treino, usado para repor energia e elevar a insulina — teoricamente para favorecer a absorção proteica. Agradava por ser barata e fácil de combinar com whey.

Em 2025 segue com uso pontual, mas perdeu espaço para carboidratos complexos e integrais. Ainda é buscada por fisiculturistas em fase de bulking ou em treinos muito intensos.

Waxy maize

Em 2007 despontava como carboidrato complexo para reposição energética pós-treino, apresentado como uma evolução em relação à maltodextrina e à dextrose, e era bastante usado por atletas de resistência e fisiculturistas.

Em 2025 continua disponível, mas com relevância menor, superado por estratégias que priorizam carboidratos vindos da comida ou combinações mais otimizadas. Ainda mantém um nicho entre atletas que querem reposição rápida sem picos glicêmicos exagerados.

ZMA: do marketing exagerado ao uso realista

Em 2007 era vendido como indispensável para aumentar a testosterona e melhorar o sono. A combinação de zinco, magnésio e vitamina B6 fazia sucesso, mas os benefícios sobre a testosterona eram inflados nas campanhas de marketing.

Em 2025 as alegações irreais perderam espaço. Hoje ele é posicionado como apoio à recuperação e à qualidade do sono, com relevância moderada, ainda procurado por atletas que precisam repor minerais para cobrir déficits causados pelo treino intenso.

O veredito

Quem quer investir bem tem hoje um cenário mais claro do que em 2007. Creatina, whey protein, beta-alanina e pré-treinos bem formulados são os casos que atravessaram os anos porque funcionam de verdade. Do outro lado, BCAAs isolados, glutamina para pessoas saudáveis e os aminoácidos genéricos de rótulo espalhafatoso perderam terreno assim que a ciência olhou com atenção — e podem sair da lista sem prejuízo. Os carboidratos em pó, por sua vez, cederam espaço para a comida de verdade e para combinações mais inteligentes. Gastar menos e treinar melhor, no fim, é uma questão de saber em qual desses grupos cada suplemento se encaixa.