Alongamento para costas: 5 exercícios e quando fazer
Alongar as costas pede os exercícios certos na hora certa. Veja cinco opções e por que o pós-treino é o melhor momento para praticar.
As costas concentram vários músculos — dos grandes estabilizadores da coluna à musculatura profunda da lombar. Alongá-las bem, portanto, exige mais de um movimento, e os exercícios mais eficientes nem sempre são os primeiros que vêm à cabeça. O que segue são cinco opções que cobrem a região como um todo, além de um detalhe que costuma passar batido: o momento de fazer.
A hora certa de alongar
Quando o assunto é alongamento estático — aquele em que você fixa uma posição e a mantém por algum tempo —, o pós-treino é o cenário ideal. Vale tanto para depois da musculação quanto de qualquer outra atividade física.
Deixar o estático para antes do treino, fora de situações específicas de reabilitação com acompanhamento profissional, não entrega os ganhos que muita gente espera e ainda pode jogar contra.
O que a ciência mostra
A literatura reúne evidências de que segurar alongamentos estáticos por tempo prolongado antes de um esforço intenso, como uma sessão pesada de musculação, tende a reduzir o desempenho e não protege contra lesões — pelo contrário.
Uma revisão (1) que reuniu 25 estudos, somando 26.610 participantes e 3.464 lesões (parte já lesionada, parte que se lesionou durante o acompanhamento e parte sem lesão), não encontrou efeito protetor do alongamento estático feito antes da atividade. Entre quem alongava antes, a incidência de lesões foi, na verdade, maior.
Por isso, a orientação de boa parte dos especialistas é reservar o pré-treino para aquecimento e alongamentos dinâmicos, deixando o estático — de forma breve — para quando a musculatura já está aquecida. É o que torna o pós-treino a janela mais interessante.
Feito no momento adequado, o alongamento estático das costas ajuda a aliviar a tensão acumulada pelo esforço, estimula a circulação local (o que colabora com a recuperação) e melhora mobilidade e flexibilidade de forma geral.
5 alongamentos para as costas
Todas as opções abaixo servem para o pós-treino, mas também funcionam em horários distantes da sessão ou nos dias de folga.
1. Inclinação lateral em pé
Foca no latíssimo do dorso, o maior músculo das costas, e dá para fazer praticamente em qualquer lugar.
- Em pé, deixe os pés afastados na largura dos ombros.
- Leve uma das mãos — a direita, por exemplo — para trás da cabeça.
- Mantenha o braço esquerdo solto ao lado do corpo, com a mão relaxada ou levemente fechada.
- Incline o tronco devagar para o lado contrário ao braço que está atrás da cabeça (mão direita na cabeça, inclinação para a esquerda).
- Segure de 20 a 30 segundos.
- Volte à posição inicial com controle.
- Troque de lado e repita.
2. Braços à frente em pé
Estender os braços à frente do corpo é uma das formas mais simples de alcançar a musculatura central das costas — trapézio e romboides — junto dos deltoides posteriores, que também integram a região.
- Fique em pé com os pés na largura dos ombros.
- Estenda os dois braços à frente, na altura do peito.
- Entrelace os dedos das mãos.
- Empurre as mãos para longe do peito, como se quisesse afastá-las do corpo.
- Deixe as escápulas se distanciarem, criando uma leve curvatura na parte alta das costas.
- O queixo pode cair de leve na direção do peito, sem forçar. A tensão deve aparecer em trapézio, romboides e ombros posteriores.
- Mantenha de 20 a 30 segundos.
- Retorne devagar.
3. Tronco inclinado com apoio
Alonga várias porções das costas de uma vez, dos dorsais à lombar, e ainda pega o peitoral. Encare esse alcance no peito como um bônus, não como substituto do alongamento de peito.
- Escolha uma superfície firme que aguente o peso das duas mãos (banco, cadeira, uma barra baixa).
- Fique de frente para o apoio, pés na largura dos ombros.
- Apoie as mãos, mantendo os braços estendidos à frente.
- Incline o tronco para frente dobrando o quadril, até ele ficar paralelo à linha dos braços ou um pouco abaixo.
- Mantenha a cabeça alinhada, olhar para baixo ou levemente à frente, pescoço relaxado.
- Não dobre os cotovelos — braços retos alongam mais.
- A tensão principal fica nos dorsais, na parte alta das costas, no peitoral e nos deltoides posteriores.
- Segure de 20 a 30 segundos.
- Desfaça com controle, dobrando os joelhos aos poucos e subindo o tronco.
4. Linha na agulha (Thread the Needle)
Ótimo para ganhar mobilidade na coluna torácica enquanto alonga a parte superior das costas e os deltoides.
- Fique de quatro no chão: mãos abaixo dos ombros, joelhos abaixo dos quadris.
- Passe o braço direito por baixo do esquerdo, com a palma virada para cima.
- Avance até sentir as costas e o deltoide alongando.
- O braço esquerdo pode ficar estendido à frente ou apoiado no chão para equilibrar.
- Segure de 20 a 30 segundos.
- Traga o braço de volta e repita do outro lado.
5. Postura da criança (Balasana)
Posição de relaxamento vinda do yoga, também chamada de Balasana. Alonga costas, quadris e a musculatura das coxas de uma só vez.
- Ajoelhe-se com os dedos dos pés juntos e os joelhos afastados na largura dos quadris.
- Sente sobre os calcanhares.
- Inspire fundo.
- Ao soltar o ar, incline o tronco à frente e leve a testa ao chão.
- Estenda os braços à frente, palmas para baixo.
- Relaxe o pescoço e mantenha uma respiração profunda.
- Fique de 30 segundos a 1 minuto.
- Saia da posição devagar.
Dá para fazer só alguns?
Dá — e, por praticidade, faz sentido. Para quem treina musculação, a inclinação lateral e os braços à frente, ambos em pé, já cobrem os principais músculos das costas e entregam os benefícios esperados do alongamento.
Se sobrar tempo e vontade, vale acrescentar outras opções, sobretudo a linha na agulha e a postura da criança. Além das costas, elas trazem relaxamento, alcançam outras regiões do corpo e agregam ganhos funcionais.
Um lembrete que nunca é demais: alongamento não cura problema pré-existente e não deve ser feito sem orientação de um profissional. Quem está lesionado é um caso à parte, fora do escopo aqui tratado.
Referência
- LAUERSEN, J. B.; BERTELSEN, D. M.; ANDERSEN, L. B. The effectiveness of exercise interventions to prevent sports injuries: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. British Journal of Sports Medicine, v. 48, n. 11, p. 871-877, jun. 2014. DOI: 10.1136/bjsports-2013-092538.