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Treino

5 máquinas da academia que exigem cuidado redobrado

Leg press, Smith, extensora, rosca scott e abdominal na máquina concentram lesões e acidentes. Entenda onde mora o risco de cada uma.

Por André NAtualizado em 02 de setembro de 2026

Nem toda máquina que assusta merece ser abandonada. O objetivo aqui não é montar uma lista de exercícios proibidos, e sim reconhecer quais equipamentos concentram acidentes e lesões — quase sempre por execução errada, carga mal dosada ou ausência de dispositivos de segurança.

Dá para enxergar esses riscos em dois grupos. Alguns exercícios são perigosos porque podem prender o praticante embaixo da carga em caso de falha muscular. Outros porque expõem articulações e coluna a um estresse que o corpo não deveria absorver. Entender os dois cenários é o que permite treinar com mais segurança e, de quebra, render mais.

Quando o perigo é ficar preso sob a carga

Leg press 45

O leg press 45 convida ao uso de cargas altas, e é justamente aí que os problemas aparecem — em mais de uma frente.

O primeiro erro mora na descida. Dependendo de onde os pés estão apoiados na plataforma, descer a carga além da conta faz o glúteo perder o contato com o banco. A coluna arredonda e acontece uma retroversão pélvica, um movimento que muita gente repete sem sequer saber que ele existe.

No outro extremo, na subida, é comum ver o praticante travar os joelhos e deixá-los completamente esticados. Isso provoca uma hiperextensão da articulação: a tensão sai dos músculos da perna e a carga passa a repousar diretamente sobre o joelho, que pode ser forçado a ponto de sofrer uma lesão séria. Boa parte dos vídeos de acidentes com leg press que circulam por aí tem essa origem — a hiperextensão no topo, com a cena assustadora das pernas virando literalmente do avesso.

Há ainda o risco mecânico. Nem toda máquina tem pinos de segurança e, quando tem, eles podem estar quebrados ou simplesmente não são usados. Se a falha muscular chega de surpresa e não existe pino algum segurando a plataforma, o praticante fica preso, prensado por uma carga que costuma ser pesada.

Supino reto e declinado no Smith

O supino reto e o declinado já trazem o risco de deixar você preso sob a barra num momento de falha muscular — isso vale tanto para a barra livre quanto para o Smith. A diferença é que o Smith agrava bastante a emergência.

Com a barra livre ainda existe saída. Sem presilhas, dá para inclinar a barra para um lado e deixar as anilhas escorregarem, aliviando o peso. No Smith isso não funciona: se a trava de segurança não foi ajustada, ou se o aparelho nem oferece esse recurso, não há como se livrar da barra. Resta esperar o resgate de terceiros. As consequências de ficar prensado por uma barra provavelmente pesada bem em cima do peitoral dispensam explicação.

Quando o perigo está na articulação e na execução

Cadeira extensora

Pela forma como exige o joelho, a cadeira extensora é um dos exercícios mais controversos da musculação. Ela trabalha em cadeia cinética aberta — os pés ficam soltos, sem apoio em nenhuma superfície — e isso pode colocar o joelho numa posição vulnerável, aplicando estresse direto sobre o ligamento cruzado anterior (LCA).

Para quem tem joelhos saudáveis e executa o movimento com técnica, isso raramente vira problema. O que acontece na prática é outra história: muita gente escolhe a extensora justamente para fugir de exercícios mais difíceis, ainda exagera na carga e, com isso, executa mal o movimento. É a soma desses hábitos — e não o exercício em si — que transforma a cadeira extensora em algo potencialmente perigoso, mesmo que de forma injusta.

Rosca scott na máquina articulada

A rosca scott, com barra livre ou na máquina, é excelente para o bíceps por permitir uma grande amplitude de movimento. O problema surge quando ela é feita sentado, principalmente nas máquinas articuladas: fica fácil estender o cotovelo além do necessário e levar a articulação a uma posição de risco.

O perigo real é permitir essa hiperextensão. No alongamento extremo, o tendão distal do bíceps fica muito exposto a uma ruptura parcial ou completa — uma lesão grave e de recuperação difícil. A máquina articulada piora o quadro porque fixa todo mundo no mesmo plano de movimento, e nesse trajeto único algumas pessoas caem no erro com mais facilidade do que outras. Some a isso a sensação de fluidez e controle que a máquina transmite: com essa falsa segurança, é comum se animar e subir a carga além do que deveria.

Abdominal na máquina

As máquinas feitas para o abdômen costumam induzir uma execução incorreta, que atrapalha o recrutamento dos músculos-alvo e ainda eleva o risco de lesão. Seja por falta de experiência para regular o equipamento, seja porque a própria máquina não oferece ajustes suficientes, muita gente não consegue flexionar a coluna com a liberdade e a naturalidade necessárias para ativar o abdômen como deveria.

O ponto crítico é a capacidade da máquina de adicionar carga ao movimento. Isso introduz um estresse desnecessário na coluna e acaba recrutando músculos que não deveriam entrar na jogada. Na prática, boa parte do esforço vai para os flexores do quadril, em especial o iliopsoas, enquanto o abdômen trabalha de forma isométrica. Como os flexores do quadril são mais fortes que o abdômen, fica a impressão de que o músculo-alvo está sendo treinado. Sem consciência corporal para perceber o que realmente acontece, o praticante mascara um problema que pode cobrar seu preço em forma de lesão mais adiante.