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Treino

Terra e remada curvada no mesmo dia: quando faz sentido

Dá para juntar levantamento terra e remada curvada na mesma sessão, mas o ganho depende do objetivo e da ordem certa dos exercícios.

Por André NAtualizado em 02 de setembro de 2026

Colocar remada curvada e levantamento terra na mesma sessão é perfeitamente possível, e num treino de costas os dois até se apoiam em certos contextos. A pergunta certa não é se dá para juntar, e sim se essa combinação faz sentido para o que você quer alcançar — porque ela só rende bem quando vem acompanhada de planejamento.

Juntar os dois é obrigatório?

Não. Não existe erro em fazer remada curvada e terra no mesmo dia, mas também não é pré-requisito para evoluir. Isso vale sobretudo para quem busca crescimento muscular, e não performance ou força máxima.

A remada curvada está entre os melhores exercícios para as costas e, de quebra, funciona como acessório do levantamento terra. Quando o alvo é justamente melhorar o terra, ela vira uma aliada, cria sinergia e amplifica o resultado.

Já quando o objetivo é hipertrofia e estética, a dupla passa a ser opcional. Pode ser usada, mas está longe de ser uma regra de ouro, e ainda exige cuidado na montagem do treino para não gerar mais problema do que ganho.

O que você ganha juntando os dois

  1. Aproveitamento do tempo. Quem treina poucos dias na semana consegue atacar boa parte da cadeia posterior numa única sessão ao reunir dois exercícios grandes.
  2. Força bruta. A combinação tem uma sinergia forte para quem quer subir carga máxima, seja em competições de força, seja para render melhor em outros esportes.
  3. Gasto metabólico alto. São dois movimentos compostos que colocam muita massa muscular para trabalhar de uma vez. Somados no mesmo dia, elevam a demanda sobre o corpo, mexem com o metabolismo e aumentam o gasto calórico.
  4. Cobertura muscular ampla. Terra e remada juntos recrutam praticamente toda a musculatura posterior, dos isquiotibiais ao alto do trapézio — ou seja, mais trabalho realizado no mesmo espaço de tempo.

Onde a combinação cobra o preço

Sobrecarga na coluna. Os dois movimentos fatigam os músculos que estabilizam e protegem a coluna. Depois do primeiro exercício, essa musculatura pode chegar cansada ao segundo, o que adiciona estresse desnecessário à região — um risco que cresce quando o treino é mal planejado.

Ruim para hipertrofia de dorsais. O terra recruta as costas, mas é um movimento de corpo inteiro que gera fadiga neural e muscular enorme. Ao chegar na remada, dificilmente você terá a mesma força e o mesmo controle para contrair o dorsal do que teria em dias separados.

Queda no segundo exercício. Não importa a ordem: como os dois usam músculos parecidos, o que vier depois será executado em condição pior. Manter a técnica limpa com carga alta fica mais difícil, e isso afeta a segurança.

Exige experiência. Não adianta jogar os dois no mesmo dia e torcer pelo melhor. Mesmo com foco em força, é preciso programar a dupla de forma estratégica, o que pressupõe saber o que se está fazendo.

Quando faz sentido colocar os dois juntos

A combinação rende melhor quando o foco é força e performance, principalmente para quem quer melhorar o próprio terra ou construir uma base sólida. Nesse cenário, a remada curvada age como acessório que reforça músculos-chave do terra, como dorsais, romboides e lombares.

Também pode servir a praticantes avançados em fases de periodização voltadas de propósito para força, com a hipertrofia deixada em segundo plano.

A ordem muda tudo

Definido o "por quê", o detalhe mais importante da programação passa a ser a sequência dos exercícios.

O caminho mais eficiente costuma ser abrir a sessão com o levantamento terra. Ele é o movimento mais exigente em técnica, foco e energia, então faz sentido executá-lo enquanto você ainda está descansado e com força total.

A remada curvada entra mais para o fim, normalmente como terceiro exercício, dando tempo para parte da musculatura se recuperar. Um encadeamento comum é fazer o terra, na sequência uma puxada vertical que não sobrecarrega a coluna (como a barra fixa) e só então a remada curvada.