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Treino

Remada curvada x pendlay row: qual usar no treino de costas

Entenda as diferenças técnicas entre remada curvada e pendlay row e descubra qual variação combina mais com o seu objetivo de treino.

Por André NAtualizado em 02 de setembro de 2026

Remada curvada e pendlay row treinam exatamente os mesmos músculos das costas, mas a forma como você executa cada uma muda o estímulo. As três diferenças que realmente importam são a inclinação do tronco, a amplitude do movimento e a continuidade da série.

Na remada curvada, o corpo fica inclinado à frente, porém sem chegar totalmente paralelo ao solo, e as repetições fluem uma atrás da outra até o fim da série. Já no pendlay row o tronco fica na mesma linha do chão e cada repetição nasce com a barra parada no piso, começando sempre da inércia.

Esse detalhe da barra tocar o chão é o que separa os dois exercícios na prática. Por precisar de uma postura mais rígida, o pendlay row dá menos espaço para o uso de impulso e tende a entregar uma amplitude maior. A remada curvada, por manter a carga sempre no ar, prolonga o tempo sob tensão da musculatura.

Os alvos são idênticos: dorsal, romboides, trapézio e deltoide posterior. No fundo, são o mesmo movimento com regras diferentes — e cada versão brilha em um contexto.

Remada curvada: o básico bem feito

A remada curvada é um clássico do treino de costas. Trata-se de um exercício composto e multiarticular, feito com o tronco inclinado para a frente e a coluna reta, puxando a carga em direção ao abdômen.

A versão mais comum usa barra, mas o mesmo padrão de movimento pode ser reproduzido com halteres, na polia e até no Smith.

Pontos fortes

  • Tensão contínua e hipertrofia. Como a carga nunca descansa no chão, os músculos das costas e os estabilizadores ficam sob tensão do início ao fim da série. Já que o tempo sob tensão é um dos fatores que influenciam a hipertrofia, essa característica joga a favor de quem busca ganho de massa.
  • Fácil de aprender. É um movimento popular, presente em praticamente qualquer academia e com professores acostumados a corrigir. Em comparação, o pendlay row é tratado como uma variação avançada e mais técnica.
  • Versátil. Dá para variar equipamento, pegada e grau de inclinação do tronco, adaptando o exercício a diferentes necessidades. Não existe uma execução única e engessada.

Pontos fracos

  • Abre espaço para roubar. A técnica flexível é uma faca de dois gumes: sem rigor, fica fácil recorrer a impulsos de outros músculos e minar os benefícios do exercício.
  • Amplitude que pode encolher. Quanto menos você inclina o tronco, mais fácil o exercício fica e menor o trajeto percorrido pela carga. Dependendo da execução, sobra pouca amplitude e cai a ativação muscular.
  • Mais carga nas articulações. O tempo sob tensão prolongado atinge também as articulações, o que pode incomodar quem tem problemas prévios na coluna.
  • Pouca padronização. Como vários aspectos ficam a critério de quem executa — o quanto inclinar o tronco, por exemplo —, sobra margem para confusão e erros de técnica.

Para quem faz mais sentido

A remada curvada cai bem principalmente para quem coloca a hipertrofia acima de tudo, com destaque para iniciantes e para pessoas com limitações de mobilidade. Ela oferece mais tempo sob tensão, cobra menos conhecimento técnico e aceita adaptações.

Juntos, esses pontos tornam o exercício acessível a praticantes de diferentes níveis, que conseguem executá-lo com segurança e eficiência. E, como aceita variações de equipamento e pegada, é possível deslocar o foco do movimento para atender objetivos mais específicos.

Pendlay row: força saindo do chão

O pendlay row é uma derivação direta da remada curvada, também voltada para as costas, mas com execução mais estrita e, em geral, mais difícil.

Também é um exercício composto e multiarticular, em que você puxa a carga na direção do abdômen com o tronco alinhado ao chão. A grande marca registrada é que cada repetição parte da carga parada no solo. Embora aceite outros equipamentos, costuma ser feito com barra, o que favorece cargas mais altas e a explosão para iniciar cada puxada.

Pontos fortes

  • Execução padronizada. O movimento é específico e rígido. Exige mais domínio técnico, mas reduz a subjetividade e garante que o exercício seja feito como foi originalmente concebido.
  • Amplitude ampliada. A técnica estrita e o fato de a barra sair do chão a cada repetição empurram a execução para a amplitude máxima, o que tende a recrutar mais fibras.
  • Força e explosão. O pendlay row surgiu no levantamento olímpico justamente para desenvolver força e transferi-la a outros movimentos. Começar do chão obriga o praticante a acionar toda a força para vencer a inércia a cada repetição.
  • Pouco espaço para roubar. A exigência técnica e o padrão estrito praticamente eliminam o uso de impulso.

Pontos fracos

  • Menos tempo sob tensão. Ao encostar a barra no chão a cada repetição, há um breve descanso que reduz o tempo sob tensão e, com ele, parte do estímulo para a hipertrofia.
  • Curva de aprendizado maior. As particularidades técnicas somadas à execução estrita dificultam acertar o movimento no começo e exigem mais cuidado.
  • Baixa versatilidade. O formato original pede barra livre e pegada pronada, com pouco espaço para variações. Foi desenhado para ser feito assim.
  • Cobra mobilidade. Manter a coluna paralela ao solo e tirar a barra do chão com boa forma depende de mobilidade de quadril e de isquiotibiais. Sem isso, mesmo entendendo a técnica, a execução correta fica difícil.

Para quem faz mais sentido

O pendlay row é mais indicado para intermediários e avançados focados em força e explosão — seja porque estão periodizando o treino de hipertrofia, seja porque treinam para performance, competições de força ou outros esportes.

A execução rígida e o início de cada repetição a partir do chão dão tempo para o praticante se posicionar e gerar o máximo de explosão para subir a carga, normalmente com mais peso do que se usaria na remada curvada.

Qual colocar no seu treino

Não existe versão superior de forma absoluta: existe a que combina com o seu objetivo. Se a meta é volume muscular, execução acessível e tensão constante, a remada curvada é a escolha natural. Se o foco é força bruta, explosão e um padrão de movimento estrito, o pendlay row entrega mais. Nada impede, inclusive, que as duas convivam no seu programa em fases diferentes.